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O que aprendi com Ruth de Souza

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Escrito por Luciana Barreto

“Ninguém pode dizer ‘não’ pra você.”

Há quase 10 anos tive o primeiro contato com a atriz Ruth de Souza, atualmente com 95 anos. Faríamos uma entrevista exclusiva para TV Brasil. A fragilidade denunciada pela idade se dissipou nos primeiros minutos, ainda na portaria da empresa. A atriz estava aborrecida porque a recepcionista, também negra, não a reconhecia. Não, dona Ruth não estava tendo um ataque de estrelismo. Com voz firme, em tom grave e volume baixo me dizia que este era um motivo de nós negros não avançarmos. Precisávamos nos apoiar. Tínhamos que ser solidários uns aos outros. Era o que os brancos faziam.

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Ao longo dos 70 anos de carreira, Ruth de Souza mexeu com barreiras que pareciam intransponíveis e abriu caminhos. O segredo está na tríade que ela segue e ensina: “educação, postura e comportamento”.

Em 1945, ela foi a primeira atriz negra a atuar no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Fez parte do Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias Nascimento. Estudou teatro nos Estados Unidos. Quando voltou ao Brasil, estreou também no cinema. E nunca mais parou. “Trabalhei muito e Deus foi muito generoso comigo”, reconhece.

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Ruth fez mais de 30 filmes e dezenas de novelas. Trabalhou para as maiores companhias cinematográficas do Brasil. E foi também a primeira atriz brasileira a receber uma indicação em um festival de cinema internacional: o Leão de Ouro do Festival de Veneza, em 1954. Traçava grandes metas. “Eu sempre sonhei em ver o negro fazendo o primeiro papel e produzindo como os negros americanos fazem”.

Ruth nunca viveu o papel de uma empregada doméstica. Eu pergunto o motivo e ela me atropela: “Chega da imagem da mulher negra de avental e sempre servil”, desabafa. A atriz reconhece a importância do trabalho doméstico, mas prefere encenar os papéis que, na vida real, são desafios para a mulher negra. “Eu procuro com o meu trabalho mostrar uma imagem digna da mulher negra”.

A impetuosidade é uma qualidade dos pioneiros. Mesmo com corpo franzino, Ruth de Souza ainda é altiva e forte. Reclama de quem não é. “Nós, os negros, somos culpados por não brigar. Não ir em frente. Ser dócil demais. Não é pegar em armas. Brigar por morar bem, comer bem, educar seus filhos bem”, esbraveja. Para ela, foi a fama de brigona que a livrou de histórias de racismo. “Não tive [uma história de racismo] porque eu brigo. Eu entro em um lugar e a pessoa não tem coragem de dizer pra mim que não posso porque sou negra. Ninguém pode dizer não pra você.”

Serviço:

A Mostra Pérola Negra: Ruth de Souza acontece de 24 de agosto a 12 de setembro no CCBB Rio de Janeiro.Também será realizada no CCBB Brasília, de 3 a 29 de agosto, e no CCBB São Paulo, de 16 a 28 de novembro.

Programação Rio de Janeiro:

24 de agosto, quarta-feir

Cinema 2 – ENTRADA FRANCA 17h30 – Damas da TV – Ruth de Souza – 21 min Heróis de todo mundo – Episódio Carolina de Jesus – 2 min Favela – A vida na pobreza – 19 min Espelho – 27 min
Cinema 1 – 19h – Sinhá Moça – 120min

25 de agosto, quinta-feira

Cinema 2 – 17h – Terra é Sempre Terra – 95 min
Cinema 1 – 19h – Também Somos Irmãos – 85 min

26 de agosto, sexta-feira

Cinema 1 – 17h – Osso, Amor e Papagaio – 102 min
Cinema 1 – 19h – Falta Alguém no Manicômio – 90 min

27 de agosto, sábado

Cinema 1 – 16h – Candinho – 95 min
Cinema 2 – 17h – Quem Matou Anabela? – 95 min

Cinema 1 – 18h – O Assalto ao Trem Pagador – 102 min

28 de agosto, domingo

Cinema 1 – 16h – Ângela – 90 min
Cinema 2 – 17h – Bruma Seca – 87 min
Cinema 1 – 18h – Sinhá Moça – 120min

29 de agosto, segunda-feira

Cinema 2 – 17h – A negação do Brasil – 95 min
Cinema 1 – 19h – Filhas do Vento – 85 min

31 de agosto, quarta-feira

Cinema 2 – 17h – Abdias, um brasileiro do mundo – 95 min
Cinema 1 ENTRADA FRANCA – 19h – Caso Verdade: Quarto de despejo – 100 min

01 de setembro, quinta-feira

Cinema 1 – ENTRADA FRANCA 18h – Damas da TV – Ruth de Souza – 21 min Heróis de todo mundo – Episódio Carolina de Jesus – 2 min Favela – A vida na pobreza – 19 min Espelho – 27 min

Cinema 1 – ENTRADA FRANCA 19h15 – Debate Ruth de Souza: vida e obra

02 de setembro, sexta-feira

Cinema 2 – 17h – A Morte Comanda o Cangaço – 108 min
Cinema 1 – 19h – Jubiabá – 107 min

03 de setembro, sábado

Cinema 1 – 16h – Pureza Proibida – 104 min

Cinema 2 – 17h – Macumba Love / O Mistério na Ilha de Vênus – 86 min

Cinema 1 – 18h – Ladrões de Cinema – 127 min

04 de setembro, domingo

Cinema 1 – 14h – Falta Alguém no Manicômio – 90 min

Cinema 1 – 16h – Osso, Amor e Papagaio – 102 min

Cinema 1 – 18h – Candinho – 95 min

05 de setembro, segunda-feira

Cinema 2 – 17h – Abdias, um brasileiro do mundo – 95 min

Cinema 1 – 19h – Filhas do Vento – 85 min

07 de setembro, quarta-feira

Cinema 1 – 16h – O Assalto ao Trem Pagador – 102 min

Cinema 2 – 17h – Ana, a Libertina – 89 min

Cinema 1 – 18h – Pureza Proibida – 104 min

08 de setembro, quinta-feira

Cinema 2 – 17h – A negação do Brasil – 95 min
Cinema 1 – 19h – Favela – 90 min

09 de setembro, sexta-feira

Cinema 2 – 17h – Quem Matou Anabela? – 95 min

Cinema 1 – 19h – Macumba Love / O Mistério na Ilha de Vênus – 86 min

10 de setembro, sábado

ENTRADA FRANCA Cinema 1 – 15h – máster class O negro no cinema brasileiro

Cinema 1 – 17h – Favela – 90 min

Cinema 2 – 18h – Terra é Sempre Terra – 95 min

Cinema 1 – 19h – Ângela – 90 min

11 de setembro, domingo

Cinema 1 – 16h – Também Somos Irmãos – 85 min

Cinema 2 – 17h – Bruma Seca – 87 min

Cinema 1 – 18h – Jubiabá – 107 min

12 de de setembro, segunda-feira

Cinema 2 – 17h – A Morte Comanda o Cangaço – 108 min

Cinema 1 – 19h – Ladrões de Cinema – 127 min

Sobre a Autora

Luciana Barreto

2 Comentários

  • Trabalhar com bons exemplos a alteridade de nosso povo é prática diária, cada um em sua especificidade de intervenção. Muito oportuna o registro da fala de nossa atriz Ruty de Souza. Compartilharei em minha página de trabalho.

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