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Meio século depois, Estados Unidos lutam para avançar nas conquistas dos Direitos Civis.

Luciana Barreto Estados Unidos
Escrito por Luciana Barreto

“Vamos superar! Superaremos algum dia!” Os versos da canção que se tornou um hino dos Direitos Civis anunciavam uma longa jornada que começaria com a coragem de uma costureira da cidade de Montgomery, no Alabama. O marco da campanha de luta para conseguir igualdade perante a lei, independente da cor, raça ou religião, foi a recusa de Rosa Parks em se levantar e ceder lugar a um branco. É consenso que este ato foi o início da luta pela igualdade de direitos. Quase unânime também é a certeza de que os americanos ainda estão em marcha. No fim de 2014, uma série de casos de mortes de jovens negros pela polícia levou à criação do movimento Black Lives Matter – as vidas dos negros importam.

Na luta pela tolerância, o desafio ainda é superar os crimes de ódio contra as minorias. “Nesse país, o racismo ficou pior. Os brancos têm medo. Eles estão perdendo espaço. Eles eram maioria. Estão cada vez mais perdendo espaço. Estão assustados”, explica um especialista. De fato, as projeções mostram que a parcela branca da população nos Estados Unidos vem caindo significativamente, enquanto os negros e, principalmente, os latinos, estão se expandindo. Atualmente, 64,4% dos americanos são brancos, 17,7% hispânicos, 13,8% negros e 5,8% asiáticos. Neste ritmo, em 2050, os brancos serão 46,3%, enquanto os hispânicos passam a ser 30,3% da população e os negros, 15%.

Crescimento da População

Outro grupo alvo dos crimes de ódio é a população LGBT. Um dos símbolos da luta pelos Direitos Civis, o reverendo Graetz explica que é necessário ter uma atenção especial para este grupo. “Não se trata mais apenas de uma luta por leis. Hoje se trata de uma luta por direitos humanos”, afirma.

Em 1955, o casal Graetz estava entre os poucos brancos à frente do movimento pelos direitos civis, com o pastor Martin Luther King Jr. “Deus me pediu que lutasse com os negros e pelos direitos iguais”, revela o reverendo ao explicar o que o levou para as ruas. A missão continuou em família. “Nós temos sete filhos e 26 netos de muitas nacionalidades, etnias e orientações sexuais. Temos mais um neto, desta vez, chinês. Somos uma querida comunidade. Aprendemos o que é respeito às diferenças dentro da própria família”, comemora a senhora Jeannie Graetz.

A força pra lutar contra a intolerância veio do Movimento pelos Direitos Civis. Quando o reverendo Robert Graetz soube que os negros de Montgomery estavam preparando um boicote aos ônibus porque alguém tinha sido preso, decidiu ligar para uma pessoa de confiança e perguntar o que estava acontecendo na cidade. Ligou para a senhora Rosa Parks e confirmou todas as informações. Então perguntou: “quem foi preso?”. A senhora Parks disse: “eu, senhor”.

Black Lives Matter
Começava ali um movimento que mudaria a história dos Estados Unidos, unindo 50 mil negros e alguns brancos, entre eles o reverendo Graetz e sua esposa, em uma única voz contra a segregação racial.

O boicote aos ônibus de Montgomery começou em 1 de dezembro de 1955 e se encerrou apenas em 20 de dezembro de 1956, depois que a Suprema Corte decidiu que as leis de segregação racial nos ônibus do Alabama eram inconstitucionais. O boicote projetou Martin Luther King e a defesa da igualdade racial ao mundo. Modificou também a vida do casal Graetz. Sofreram ameaças. Arriscaram suas vidas diante de atentados à bomba. Mas levaram a mensagem de não-violência até o fim. “Pagamos o preço por fazer o que era correto. Mas fizemos”, desabafa o reverendo Graetz.

Abaixo, um pequeno trecho na nossa conversa.

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Luciana Barreto

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