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25 de Julho

Marcha das Mulheres Negras 2015
Escrito por Luciana Barreto

Contagem regressiva para a Marcha das Mulheres Negras.

O momento é de ebulição. O Brasil tem 49 milhões de mulheres se movimentando, esquentando a temperatura e prometendo muito barulho até o fim do ano. Este 25 de julho já está diferente. Parece que é só um aperitivo. O prato principal está sendo preparado aos pouquinhos, em dezenas de municípios do país. A Marcha das Mulheres Negras deve reunir milhares de pessoas em Brasília no dia 18 de novembro, exigindo o fim do racismo e do sexismo.

Na verdade, a pauta de reivindicações é extensa. Afinal, elas convivem com a desigualdade social e econômica, o racismo institucional, os piores salários, jornada de trabalho mais longa, e são elas, as mulheres negras, as vítimas mais próximas de uma situação crítica no Brasil – o extermínio dos jovens negros. A força destas mulheres tem explicação histórica. “As mulheres africanas das regiões onde foram trazidos os cativos para o Brasil tinham um papel muito ativo no pequeno comércio, em vários momentos chegaram a ser soberanas dos chamados reinos ou mesmo senhoras de aldeias. Um bom exemplo é a Rainha Nzinga, de Angola”, explica a professora de História da África da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mônica Lima.

Rainha Nzinga ou Ana de Souza, Teresa de Benguela, Aqualtune, Luiza Mahin e Dandara são algumas das inspirações de um grupo que estuda todas as estratégias para o sucesso de um evento que vem sendo preparado há dois anos. São plenárias, encontros, atividades para arrecadar verba e muitos desafios. Como levar tantas mulheres a Brasilia? Como atingir as maiores vítimas de preconceito que, infelizmente, estão longe de toda essa discussão?

“Tem gente fazendo trabalho bem específico, com ‘mulheres de ponta’, que sofrem preconceito e racismo em alto grau”, explica a mobilizadora de Nilópolis, na Baixada Fluminense, Ignez Teixeira, que faz parte da coordenação estadual da Marcha. Quando pergunto qual a expectativa para o dia 19 de novembro, um dia depois da Marcha das Mulheres Negras, Ignez é enfática. “Infelizmente no dia 19 a gente não vai acabar com o racismo, mas a gente vai dar uma grande resposta contra o preconceito”.

Mônica Lima - Professora de História da África UFRJ

Mônica Lima – Professora de História da África UFRJ

Sobre a Autora

Luciana Barreto

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